quarta-feira, 25 de julho de 2007

Aqui, lá e em qualquer lugar

Hey, amigo (velho amigo),

Parabéns, saúde, felicidades. Como você me disse outro dia, “tudo de bom que as pessoas sempre desejam para as outras em aniversários”.

Nessas ocasiões de cumprimentos, de constante busca por palavras bonitas, sempre sugerem os botões daquele que fala que se diga “eu gostaria de dizer muitas coisas neste momento”, mas... que coisa cafona, bicho!

De verdade, eu não gostaria de dizer nada mais do que essas palavras que eu já disse agora – e do que aquelas que eu já disse antes. Mas, de verdade, mesmo, eu gostaria apenas que estivéssemos todos juntos e que nos olhássemos depois da pancada de um mi maior para que pudéssemos, enfim, gritar em conjunto: Don’t let me down!

É, seria foda. Não foi. E, muito provavelmente, também não será (será?). Se não conseguimos ser os Beatles, amigo, não o tente de novo com quaisquer outros cabeludos por aí. Você não encontrará por aí amigos melhores que nós. Talvez bem melhores, sim, na guitarra, no estúdio, na distância sempre exata daquilo que é seu. Não na cumplicidade. Não na ingenuidade de achar que, plim, basta ir a uma loja de fantasias para se realizar um sonho em comum guardado por tantos anos. No feeling do “é hoje” que não chegou, mas que nem por isso deixa de nos despertar vibrações tão intensas.

Aqui, bem velhotes, seguimos caminhos particulares e quase silenciosos. O teclado novinho em folha e a guitarra sem a última corda, separados, fazem cada vez menos sentido. Menos barulho. Nas paredes fechadas, acordes sem eco. Aqui, pensamos que, ah, falta você, nosso amigo. À sua espera, (a)guardamos aquele primeiro ensaio possivelmente frustrado, possivelmente promissor.

Lá, “seguiste” o tom que jamais deixou dúvidas de que, claro, a felicidade existia. “Encontraste” o caminho certo por todos nós, mas “foste” sozinho. Convicto. Caminhando com o seu tênis vermelho e a camiseta estampada pelo orgulho do sonho realizado, você encontrou um porto frio, histórico e alegre. Naquela Polar geladíssima ou naquele vinho da casa à espera do amor, você descobriu que... você tinha razão. Era um sinal.

Mas também, amigo, não tenho a mínima dúvida: em algum momento você riu sozinho, não entenderam nada e você, mesmo assim, preferiu não compartilhar nossas piadas incríveis, babacas, previsíveis e sempre repetidas. Em algum momento você achou um sujeito idêntico ao professor de História, um clone irreparável da colega monga, uma figura tosca como a do careca de cornetinha em cima da Marilyn Monroe, mas não havia ninguém que entendesse tanta “bobagem”. Você quis implicar com o jeito de um, a blusa de outra, o sotaque de todos, mas não havia mais alguém tão chato quanto você. Em algum momento, enfim, você tentou nos procurar no ensaio da sua banda nova – e de verdade. Sentiu uma vontade louca de pegar o carro bêbado e, ao som de Twist and Shout, ser atropelado por um maluco de bigodinho. Tentou, então, de alguma maneira, mais dois ingressos para o... o Mundo de Marlboro - com itinerário completo e tudo. Mais uma vez, porém, não deu.

Aqui, estejamos talvez enganados, afinal, lá você pode ter se esquecido de tudo isso. Mas, a exemplo de John, Paul e Harrison (porque o Ringo não conta, disso você não se esqueceu), o sonho e o ensaio seguirão para sempre guardados. Aqui, lá e em qualquer lugar.




9 comentários:

Fujitsu disse...

O Ringo não conta? Espero não ter entendido o sentido literário desse trecho, senão serei obrigado a relembrá-lo de sua condição de BURRO!

Emilio disse...

Incrível!!!!

Até que enfim um blog bonito, limpo e o melhor, somente com suas obras primas!
Já havia lido todos seus textos ontem, mas, não consegui dar um tostão de meu palpite em todos. Infelizmente.

Muito bom seu texto. Nostálgico. Adorei aquele trecho, "..., mas não havia mais alguém tão chato quanto você." muito bom, não seria tão direto mesmo que colocasse o nome da figura.

Pequenininho, boa sorte com seu blog, e com certeza terá.

Ahh outra coisa que gostaria de dizer nesta hora. Chupa! Seu Argentino filho da p....


Abração ae! ;)
Emílio... ou Zeh

Lucio Ducel disse...

Dizem que os discos dos Beatles contam a história da vida de um homem. Todos eles, os treze, juntos, em ordem cronológica, traçam uma narrativa que começa em I saw her standing there e vai até Get Back. Se um passado distante faz ecoar os acordes de Twist and Shout, coisas de primeira fase, de primeiro-anistas, outro, mais recente, lembra a dança de Yellow Submarine. Entre o começo e o fim há o solo de In my Life, e todos aqueles detalhes e apogiaturas que os Beatles sucitam: “Porra cara, você sabe que foi o George Martin quem fez esse solo?”. “Yeah, yeah, yeah, claro que eu sei, bicho!”
Mas uma coisa não sei se vocês sabem. Quando os acordes de Let it Be começam a fazer sentido é porque está na hora de começar tudo outra vez! Peguem o Please Please Me porque estamos apenas começando um novo ciclo, e agora eu sei que vai dar certo! O sonho não acabou.
Parabéns ao aniversariante, parabéns ao escritor!

Abraços, e ...a gente se vê por aí! ;)

Tainá disse...

Muito bonito o texto.
E, realmente, parabéns ao aniversariante.

4_75 disse...

Um texto bastante particular, e ao mesmo tempo nada particular. Enfim, muito belo. Que bom que você não especificou a pessoa aniversariante! A nostalgia atingiu seu ápice aqui... o tempo e o lugar intensificam mais ainda.

Mas claro, parabéns ao aniversariante.

Abraço, meu querido jornalista-iniciante-sem-um-puto-no-bolso.

Helen Valverde disse...

Parabéns aos "cabeludos": escritor e aniversariante!

Suzina disse...

Clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap clap

Dani disse...

Que lindo Thi, gostei demais.
Muito bom ler um texto dedicado a um grande amigo.
Parabéns ao aniversariante, muitas felicidades.
Beijo!!

Wellington Amaral disse...

Parabéns
esse texto nem o crítico "invisível" será capaz de reclamar (será?).