segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Bronha, Brasil!

O Brasil é um país excitante. Com humildade, aliás, tomo licença para acrescentar o bordão: o Brasil é o país da p(uta)iada pronta. Sim, é risível e quase comovente o oportunismo erótico de nossas ladies, digamos, engajadas, promovendo o silicone e os pêlinhos aparados, com grooving e tudo. Quem foi que disse que a putaria de Brasília só produz entulhos e usurpadores? Errado. Brasília é tão excitante quanto Bahamas (sejam as ilhas, seja o bordel de luxo lacrado pelo Kassab).

Os peitos da vez nos soam assim, sei lá, familiares demais. Mônica Veloso, Marina Mantega... já ouvimos falar sobre algo parecido, não? Enquanto o Guido, capitão do desenvolvimento, se preocupa com a crise aérea e a solução para os aeroportos de São Paulo, um avião que estava na casa dele, bem debaixo das suas asas, vejam só, resolveu pousar no meu banheiro. “A filha do ministro (sem economias...)”, anuncia a VIP. Paro em frente à banca, estarrecido e tentado a verificar, afinal, o tamanho da prosperidade sobre a qual nos alertou Mantega, o pai. Penso mais dois minutos e, sem esperanças, caio no lugar-comum de achar que, se vem de Brasília, coisa boa não deve ser.

Melhor guardar dinheiro; daqui a pouco chega a Playboy DELA, da jornalista arrasa-quarteirão, da xará da Lewinsky. Mônica, ah, Mônica... todos os dias ouvimos e repetimos o seu nome incessantemente, como velhos conhecidos, como amantes platônicos, e você ali, sempre congelada, sempre quase escondida sob os óculos escuros ou quase séria na capa da Veja. O olhar prostrado, murcho, aparentemente vitimado por um cafajeste que lhe prometeu abandonar tudo para depois fugirem juntos com a bolada do amigo empreiteiro. Ah, Mônica, porque hesitaste cinco minutos em aceitar o convite da nossa revista pornô mais fina? Deixe-nos entrar, Mônica. Deixe-nos...

E ainda dizem que o brasileiro é um cara despolitizado. A Playboy, muito mais que ganhar dinheiro em cima do nosso fetichismo ávido e hipócrita, tenta promover a conscientização dos punheteiros. Vocês não percebem? É bonito, é cool. Vai ver é a tal responsabilidade social, a falsa filantropia com o pensamento no “é dando (!) que se recebe”. Mas, benevolências à parte, há algo de muito grave nesse processo de pornografização da política (ou politização do pornô, tanto faz): perdemos o prazer pelo realmente belo, pelo vislumbre de uma escultura de carne e osso, a única coisa a que se pode chegar em páginas de revistas. Onde está a beleza pela beleza? Cadê a Maitê Proença e o seu corpo inteiro que dispensa maiores explicações? Foi-se o tempo em que a violência das polêmicas nos atracava de forma mais direta, nos chumaços da Vera Fischer ou na lisura da Galisteu? Não queríamos ou não estávamos acostumados com o subentendido. Agora, cultuamos o que há por trás dessas mulheres (não, infelizmente não é o que vocês estão pensando), o seu baixo porquê de estar ali (não, de novo, não é o que vocês estão pensando). Comprados pela idéia da revista, compramos sua materialização sedutora nas bancas mais próximas. O fetiche não é novidade, claro, mas dessa vez ele atingiu proporções terríveis. A amante do presidente do Senado, a pivô de um rastro de lixo sem fim, a mãe do pecado cristão de um homem público. Ela, o nosso maior sonho de consumo, tão momentâneo e esparso quanto um discurso proferido por seu amante. Que importa se há cinco mil mulheres como Mônica Veloso por metro quadrado? Só ela – até o mês que vem - é a mulher mais desejada do mundo.

No Senado, enquanto isso, acompanhamos diariamente um show de sacanagens tórridas, de maracutaia explícita, de sexo animal na mesa da Comissão de Ética, o vai-e-vem dos canalhas engravatados, daqueles velhinhos quase caquéticos pulando a cerca (a nossa) e gozando à vontade com o pau alheio (o nosso), experimentando um orgasmo eterno, uma bronha relaxante, tântrica, proibida nas linhas da constituição parlamentar. Renan, perdido entre os bois e a vaca, ainda ameaça a oposição com meias palavras. Cadê a virilidade, comandante? Seja macho de novo, cabra-da-peste! Cadê o Jefferson, o mártir da bosta no ventilador, pra te ensinar como se entrega os colegas de canalhice? Ah, pensando bem, chega de aporrinhação e me traz logo a Playboy da jornalista gostosa, vai!

Ver a bunda dessa mulher pode nos custar caro. Ver suas curvas pode nos levar a uma espécie de absolvição de Renan, a algo como "ah, ele até pode ser um filho da puta, mas, vem cá, olha esse rabo! O cara mandou bem!!". Ver suas coxas torneadas pelo Photoshop nos deixará ainda mais impotentes, mais brochas, mais passivos, mais cúmplices dessa aberração nacional. Além de tudo, se a moda pega...

Fica, Renan. Se a moda pega e você, por um acaso bem casual mesmo, cai do seu posto-mor, propostas perigosas podem surgir. Renan Calheiros na G Magazine! Será? Não é impossível imaginar a capa com o desmoralizado quase nu, tapando o cacete com uma maleta e os escritos garrafais: "O tamanho do Gontijo!". Ou então algo como "Renan Calheiros, mais em pé do que nunca". Fica, Renan. É melhor mesmo que as coisas acabem em pizza do que acabem em banana velha.



Um comentário:

Danilo disse...

Photoshop é uma desgraça...
A impressão q tenho é q todo veículo público tem a mão de um artista q usa softwares mto + potentes e de maior abrangência.
O q estamos vivendo hj com os "retocadores" de revista é só mais uma modalidade do q sempre houve nesses veículos...

Aliás, blog não é um desses meios? HUAhuauhauhahuHUAhuaUHA... brincadeira...
Parabéns: continue a "retocar-nos" c/ os belos textos q a gente se "re-toca" daqui c/ a Playboy...