quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O silêncio de Sérgio

*Entrevista com Sérgio Guilherme Filho, ex-vocalista do Gram



Depois de muitos dias de silêncio e de poucos minutos do horário finalmente combinado, o repórter disca a combinação de treze números com alguma apreensão. A ansiedade é tão grande que talvez esteja preferindo que ninguém atenda. Assim pode se preparar melhor. Pura covardia de iniciante, contudo. Está mais uma vez cobrando a si mesmo para que não deixe transparecer a condição de fã decepcionado, quando a voz imediatamente reconhecida do outro lado da linha diz um “alô” típico de quem também já sabe quem é. Sua primeira preocupação é perguntar se o outro pode falar, se realmente não está ocupado, ao que recebe a sincera sugestão que ligue novamente dali a mais ou menos meia hora. Ótimo, ganha tempo, enxuga o discreto suor na testa e até arrisca novas possíveis perguntas. Quando, às 21h50, tenta mais uma vez, basta que o telefone toque por três vezes para que ele comece a reordenar as cinzas do ídolo até então quieto. E, não se sabe se num passe de mágica ou não, dá-lhe vida de novo.


Vamos começar pelo fim. Recentemente você disse que “não estava contente com o rumo das coisas”. Quais coisas?

Quando me refiro ao rumo das coisas, falo do cenário musical. Eu não estava me sentindo seguro com o que estava acontecendo e, por outro lado, algumas coisas caminhavam no sentido oposto para mim. Eu criei muita expectativa, estava muito cansado e isso não estava me fazendo bem. É uma somatória de coisas, na verdade, mas o principal mesmo foi a saída do Riba [Luiz Ribalta, guitarrista que havia deixado o Gram há pouco tempo por questões familiares]. Ele era o centro, era um cara muito racional, enquanto nós quatro [Sérgio, Marco, Falvo e Pagotto] éramos muito emocionais. Então, ele era importante para equilibrar a banda. Claro que eu não fiquei chateado com ele... nós éramos muitos amigos desde antes da banda, gostávamos das mesmas músicas, foi ele quem quis montar o Mosva [grupo que precedeu o Gram, quase de mesma formação], estávamos juntos desde a primeira composição, etc. Então, pra mim, foi foda, sabe? Apesar de achar que no palco a coisa funcionou em quatro, na hora das decisões ele ia fazer muita falta. Quanto ao cenário musical, está difícil pra todo mundo, não é uma desculpa... mas é uma coisa que ajudou. Além de tudo, foi muito importante o fato de eu ter recebido uma proposta de uma ótima agência [a DM9, gigante do ramo publicitário], com a qual eu sonhava desde adolescente, quando prestei Publicidade e Propaganda. A oportunidade apareceu e, quando entro em alguma coisa, eu me dedico 100%. Foi assim com o Gram e está sendo assim com a DM9. Daria pra continuar com a banda? Daria, mas eu não sou um cara organizado o bastante para conseguir dividir meu tempo com duas coisas que, para mim, são prioridades. Eu não conseguiria levar o Gram como hobby. Eu gostava daquilo, eu me envolvia... o resto é besteira. É difícil mesmo fazer sucesso... eu também não me dou bem com crítica, fico mal, mas são coisas pelas quais todo músico passa, né?

Então podemos dizer que houve um processo de desgaste durante todo esse período, desde a saída do Ribalta, principalmente? Não foi algo tão repentino como pode ter parecido aos fãs num primeiro momento?

Não, não. Demorou, cara. Foram pelo menos seis meses de muito desgaste, muita emoção. A gente chorava, discutia... ficamos com os nervos à flor da pele. Estávamos confiantes no trabalho, havíamos acabado de lançar o disco [Seu Minuto Meu Segundo, álbum número dois do Gram]. Quando o Riba saiu, eu senti vontade de sair na hora. Eu falei uma vez, em uma reunião: “Se o Riba sair, pra mim não vai ser a mesma coisa”. Sem qualquer um já seria diferente, mas sem o Riba... porque ele era um cara que tinha uma função que nenhum de nós quatro tinha, que era essa coisa centrada. E aí, lógico, eu tentei até em quatro... mas quando surgiu essa oportunidade da DM9 e eu vi que não ia dar conta das duas coisas... a DM9 estava sendo financeiramente legal e artisticamente interessante também. Eu adoro desenhar também, e lá eu estou aprendendo muito.

De alguma maneira, você acha que faltou alguma coisa ao Gram?


Não. [Faz rápido silêncio] Acho que faltou um pouquinho mais de tempo. Era uma questão de tempo. Mais um ou dois anos e a gente ia começar a ter mais nome, assim como eu acredito que a gente ainda vai ficar muito tempo na história. Fizemos tudo tão bem feitinho... até hoje o Seu Minuto Meu Segundo é o disco que eu mais escuto. No meu casamento tocou o instrumental de “Você Tem”... porra, a melodia é fodida, funcionou muito bem. Não deu tempo de o Gram florescer, a vida é assim. Eu tive que tomar várias decisões assim na minha vida, mas estou aqui, firme. Tive que parar faculdade já, mudei de ramo duas ou três vezes. Essa é só mais uma das vezes.

E como ficou o contrato com a gravadora?

Todo ano, em junho ou julho, a gravadora decide se vai ficar mais um ano com a banda. Se passar de uma data desta época (que eu não me lembro ao certo), se a gravadora não falar nada ela é obrigada a gravar um disco com a banda. Quando chegou em maio, eu anunciei minha saída aos outros integrantes, e a gravadora, lógico, ficou sabendo. Então eles rescindiram porque acharam que não ia mais ser legal. Eu achei até que deveriam ter continuado, mas não quiseram, até porque ia mudar o nome.

Então esse projeto paralelo que eles estão anunciando já não tem mais ligação com o contrato do Gram com a Deckdisc?

Não. A gente rescindiu o contrato.

Por que você optou pelo silêncio desde o anúncio do fim da banda até aqui?

Primeiro eu queria pensar um pouquinho pra ver exatamente o que falar. Eu também estava confuso. No momento em que eu decidi, eu sentia que eu tinha que parar, mas não sabia muito bem dizer por quê. Aí precisei de um tempo pra organizar minha vida, pra pensar direitinho em quais eram realmente as razões. Eu cheguei ao ponto de... eu ODEIO avião. Com a crise aérea, eu estava com mais medo ainda. Eu cheguei ao ponto de achar que era por isso! Eu não estava mais querendo viajar. Você não percebeu que começamos a tocar só em São Paulo? Eu falei “não vou mais pegar avião”. A gente foi pra Minas de carro, pra se ter idéia.

Vocês negaram propostas por causa disso?

Pra caramba. Tínhamos proposta do Nordeste, Belém.. então achei até que fosse por causa disso, mas na verdade eu estava muito confuso, querendo parar pra pensar. Eu não estava com gás pra tocar, já estava trabalhando na DM9, não estava querendo faltar. Os caras me abriram as portas, me receberam muito bem na agência. Tudo isso conta, cara. É estranho falar. Muitas pessoas me dizem “Porra, você saiu de uma banda que estava dando certo, que era legal, pra ficar numa agência?!”, mas não é assim... é uma PUTA agência, pô! As pessoas lá me deram muito trabalho legal pra fazer. A decisão foi difícil, não foi da noite pro dia. Eu demorei meses pra falar pra eles [os outros integrantes do Gram], desde o momento em que eu senti que não estava mais afim. Fui falando aos poucos, falando que estava triste, que não estava me sentindo bem, fui tentando me abrir com todos eles.

E como eles reagiram a isso? Houve ressentimento?

Não, cara. Eles ficaram tristes, né? De certa forma, eu era o pilhado da banda. Eu gostava de ir lá, jogar eles pra cima, trazer música nova o tempo todo. Gravava tudo no ensaio e já mandava pra eles no mesmo dia. Eu assumi uma função muito importante que, de certa forma, deixaria uma lacuna pra eles que ia ser difícil de ser completada tão rapidamente. Então é lógico que eles estranharam... “pô, o cara que mais gostava da coisa vai sair, pô, então fodeu”. Foi um choque pra eles, mas eu acho que eles entenderam. O Marco também está trabalhando em uma agência ligada à DM9, então a gente estava se vendo quase todos os dias. E ele mesmo entendeu, embora no começo tenha sido difícil. Ele percebeu que eu não estava brincando, que eu estava com um pepino na minha mão e eu tinha que resolver. E eu resolvi, né, fazer o quê?

Você tem acompanhado as mensagens dos fãs desde o fim da banda? Tem recebido muitos e-mails?

Eu olhei, sim, com certeza. Também vi todas as entrevistas deles [dos outros integrantes do Gram], queria ver se tinha coerência, se não iam falar nada de errado... mas foi tudo certinho. Em relação às mensagens dos fãs, me dava uma vontade de responder às pessoas que diziam “pô, e ele não fala nada?”. Não era hora. Agora eu estou mais consciente, eu sei o porquê de ter feito isso, então está mais fácil de expressar o que foi.

Muitos chegaram a dizer que era falta de consideração, que você sequer havia dado satisfações e que, quando foi receber o prêmio da Pitty no VMB, também não disse nada...

Ali não tinha como falar sobre isso. Foi um trabalho totalmente paralelo, o que eu podia fazer era agradecer as pessoas envolvidas naquele trabalho... não tinha nada a ver.

Já surgiram propostas para novos clipes?

O cara do Mukeka di Rato [conjunto-revelação do Espírito Santo] sentou do meu lado no VMB e falou que estava afim de fazer um clipe em animação e tinha até comentado com o Rafael [Ramos, produtor da Deckdisc] de passar pra eu fazer. Mas só. Eu acho que seria legal fazer um clipe do Cachorro Grande, pois é uma banda que eu gosto muito. Mas também não sei se vai dar tempo. É a mesma história: se eu tenho que parar pra fazer alguma coisa aqui em casa, eu preciso de tempo e dedicação. Se eu tiver umas férias, não for viajar e a proposta for boa, eu faço. Agora eu estou direcionando melhor as minhas coisas. Antigamente eu era muito “pela arte”, assim... hoje em dia tenho que me preocupar também com o que estou recebendo; tenho 33 anos, sou um adulto, tenho responsabilidades. Mas quem sabe também não faço algo para esse projeto novo deles [ex-integrantes do Gram]?


Você disse que está sem tempo para a música. Existe vontade, porém?

Vontade eu tenho todos os dias. Pego o meu violãozinho aqui em casa e toco, pego meu piano. Sempre toco alguma coisa.

Mas tem composto coisas novas?

Não. Compor exige muito de mim, muita dedicação. Eu demoro muito pra compor. Apesar de ter feito “Você Pode Ir Na Janela” em quinze minutos, no dia em que o negócio brilhou e saiu... foi antes de ir pro ensaio. Voltei do trabalho, fiz, levei pro ensaio e pronto! Mas ela saiu rápida porque eu já vinha trabalhando em outras coisas durante meses, já vinha tentando fazer uma música que fosse muito emocionante. É como um escritor ou vocês jornalistas: escrevem, escrevem, escrevem, pensam em temas diferentes e um dia você senta e faz em dois minutos, fala “Nossa! É isso!”. E eu não tenho tido tempo de ficar aqui sentado cinco horas, que era o que eu geralmente ficava, depois almoçava e ficava mais oito, só sentado no piano tentando fazer alguma coisa. Aí, de um dia pro outro... “Parte de Mim” também saiu em meia hora; “Tem Cor” também saiu muito rápido, porque eu fiquei dias tentando fazer alguma coisa... um dia sai, né? Mas não tem jeito, eu gosto de sentar e tocar, minha esposa também gosta de ouvir, pede pra eu tocar. Tem que ter um público, né? [risos].

Se você quiser, ainda tem um público bem maior...

[risos] Por enquanto não dá. Acho que estou até enferrujado, não daria nem pra querer encarar um palco. Mas eu não digo “nunca”... é uma palavra que não existe. Eu gosto muito de música, gosto muito de desenho e eu tenho as minhas responsabilidades. Se um dia pintar uma brecha, eu posso voltar a fazer alguma coisa, mas agora não passa nem perto. Gostaria de fazer as duas coisas, mas só se houvesse 48 horas por dia... 24 só não dá.

A trajetória foi relativamente curta, mas também foi intensa, como você mesmo disse...

Eu acho que sim. Apesar de não ser tão famoso. Esse clipe que eu ganhei com a Pitty nasceu daí, do gatinho...

A marca ficou. Há algum momento especifico dessa trajetória que você levará sempre como imagem da banda?

Há muitos. A gravação do DVD [MTV Apresenta Gram] é muito especial, assim como o dia em que o Rafael Ramos ligou pra nos contratar e aqueles shows no Nordeste também... Salvador, a Casa do Frevo. Esses dois shows, o DVD e o dia em que o Rafa ligou foram muito importantes. São os meus momentos favoritos, de todos os que estão guardados comigo.

**Veja o clipe do gatinho ("Você Poder Ir Na Janela")

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Segurança Pública: ricos, pobres e super-heróis

Não consegui. Sinto-me sumariamente derrotado pelo discurso de Huck. Ou, pior ainda, pelo eco de seu discurso. Desde que ele, o incrível, publicou notório artigo na Folha de S. Paulo, há cerca de quinze dias, em protesto à – falta de – segurança pública na capital paulista, não se fala em outra coisa. Cansei (opa, também não queria falar sobre isso, mas todo mundo já se esqueceu ou se cansou do Cansei, mesmo...). Desta vez, porém, a repercussão atinge ainda diariamente níveis desproporcionais. Foi como se ele tivesse, de fato, morrido, como esperneou no início do texto, ou como se nunca se tivesse discutido a violência urbana no Brasil. Foi como se seu discurso mimado e retrógrado tivesse nos despertado para a luz de um problema até então inédito: “Meu Deus, isso é inimaginável! Um assalto em plena Renato Paes de Barros? Uma arma na cabeça?? Não, não pode ser, ora pois, isso não existe!”. Desta maneira se comporta parte da população e da mídia que ecoa o tal discurso do qual também somos vítimas; para além dos assaltos à mão armada à luz do sol, somos reféns ainda de um pensamento mesquinho que não chega a ser novidade, mas que nem por isso deixa de continuar surpreendendo.

No domingo cedo, 14/10, folheando o mesmo jornal que estampou o protesto de Huck, deparo-me com a manchete “Ricos reclamam mais da violência do que os pobres”. Pensei em não ler. Pensei em desistir do jornalismo, da vida, em reclamar, sei lá. Mas, com o perdão do trocadilho, não dava pra não ler. A reportagem se embasava em pesquisa feita através de números do IBGE que denotavam justamente isso: “em famílias com nível de gasto maior, foi maior o percentual de pessoas que reclamaram de problemas de violência ou vandalismo em sua área de residência”. Havia, por outro lado, o balanço, também fundamentado em números, de que a “percepção do morador não reflete necessariamente as reais condições de moradia do bairro em que vive”. Para tanto, o texto começava com a história de uma moradora da Lagoa, bairro nobre da zona sul do Rio, que resolvera, há alguns anos, iniciar um movimento de protesto após ter ouvido, de sua cobertura, som de tiros na Rocinha, favela próxima ao seu prédio de luxo. Talvez não por acaso, a matéria também terminava com a mesma personagem, cheia de propriedade, insuflando-se: “Da mesma maneira como fizeram com o Luciano Huck, me diziam que, por ser da elite, eu deveria calar a boca. É como se dissessem que a culpa pela violência é minha e que, por isso, eu deveria ficar engessada. Isso não faz sentido”. Talvez não por acaso, o repórter responsável (?) pela notícia não ouviu nenhum “pobre”. No recheio de seu texto, contudo, deu voz, sim, ao gerente da pesquisa que lhe garantira o título da matéria. A conclusão a que este chegou foi que “as pessoas de maior renda e escolaridade, por terem mais conhecimento ou pagarem mais impostos, têm nível de exigência maior”. Em minha dificuldade terrível de compreensão, quase entendi que ele quis dizer que os “ricos” são mais inteligentes e têm mais direitos sobre os “pobres” e, por isso, natural e obrigatoriamente, são mais “exigentes”. Noutra brilhante e não menos sarcástica conclusão, um especialista (!) no assunto acrescentava (?) o fato de “a população mais rica se sentir mais alvo em potencial da violência por possuírem mais ativos”.

Mesmo que eu e meu pai estejamos desempregados e minha mãe seja professora de colégio público, não há coragem para outra alternativa senão a de nos considerarmos privilegiados: tenho ensino superior completo (desde o início em escolas particulares), internet banda larga e um poodle que usa lacinhos e faz cocô onde bem entende pela casa. Coisas de um “rico” daquela reportagem. Não sou rico, claro, mas, como se vê, nossa desigualdade é tão grande que estou um tanto mais próximo destes do que daqueles. O que não significa, no entanto, dizer que estou do lado “dos meus”. Quando ouço, leio ou assisto a tantos argumentos estúpidos que defendem as vítimas como Huck (e como eu mesmo, que fui assaltado mais de uma vez em bairros nobres de grandes cidades), não tenho vergonha em rebater alguns deles com idéias aparentemente clichês de qualquer “esquerdóide”. E, pensando na tal reportagem, entre atônitos e perplexos, perguntam-me meus botões: não parece mesmo óbvio que os graúdos se sintam menos à vontade no meio da guerra? Os pobres, afinal, são eles próprios a violência. Esta violência, afinal, em específico a citada na reportagem e no texto de Huck, é justamente a violência dos pobres, do cano na testa, da justiça a sangue frio, com as próprias mãos. E os mesmos botões, ainda inquietos, completam: os ricos não são violentos? Eles reclamam da violência dos bancos? Da violência do salário das empregadas? A das grandes empresas? Da propaganda? Das novelas? Das BMW’s indiferentes nos semáforos? Dos Rolex? E quem é que reclama mais da violência da fome? Os ricos ou os pobres?

O mais interessante dessas recorrentes discussões inflamadas sobre segurança pública é que se ouve constantemente que os ricos têm o direito de o ser – e têm mesmo, mas o que nunca se entende é que os pobres têm direito, pelo menos, de ser gente.

O FALSO HERÓI

Até onde se sabe, o apresentador-vítima não registrou queixa do roubo à delegacia mais próxima (situada, inclusive, na mesma rua onde ocorreu o crime). O que Huck, o destemido mártir da segurança, talvez não compreenda é que, sem Boletim de Ocorrência, o crime do qual foi vítima não existe oficialmente. Por que insiste ele, então, em cobrar ação efetiva da polícia e das autoridades, se transmite comportamento tão inseguro? Tudo bem que, como ele próprio já disse, não está preocupado com o relógio e sim com o alerta a ser passado, mas é noção básica de cidadania que, para que os agentes de segurança funcionem da melhor maneira possível, é preciso colaboração da sociedade da qual Huck presume que faz parte.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Cinco e dezessete

Não dormia antes que o dia clareasse, antes que os pássaros, ainda desnorteados, disputassem com gritos histéricos um lugar apertado nas antenas de televisão. Antes que, das garagens das casas, ouvisse os primeiros motores ligados, dos carros, da gente correndo para o extenuante trabalho a cumprir.

E enquanto aquele negócio metodicamente maluco lhe soprava, do além das venezianas cerradas, as primeiras mostras de mais um dia comum, ao som e à luz de uma alvorada em nada romântica, arredava as cobertas para baixo e se punha a sonhar. Feliz, feliz. Muito mais que os carros e que os passarinhos.