quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Cinco e dezessete

Não dormia antes que o dia clareasse, antes que os pássaros, ainda desnorteados, disputassem com gritos histéricos um lugar apertado nas antenas de televisão. Antes que, das garagens das casas, ouvisse os primeiros motores ligados, dos carros, da gente correndo para o extenuante trabalho a cumprir.

E enquanto aquele negócio metodicamente maluco lhe soprava, do além das venezianas cerradas, as primeiras mostras de mais um dia comum, ao som e à luz de uma alvorada em nada romântica, arredava as cobertas para baixo e se punha a sonhar. Feliz, feliz. Muito mais que os carros e que os passarinhos.

Um comentário:

Danilo disse...

Aplicar-se-ia muito bem ao Guarujá, não?

Eu já não durmo antes que uma almofada rodopiante voe pela sacada abaixo e eu tenha que mobilizar o zelador, a mulher da faxina, os amigos, os anfitriões...