domingo, 17 de fevereiro de 2008

Quando o carnaval acabar

Ensimesmado e cheio de uma esperança sem esperança alguma, o arlequim despede-se quando o dia já é claro e quente, mas nem por isso encontra quem possa lhe convidar para que fique um pouco mais ou que, ao menos, lhe diga adeus, obrigado. Os sinos do carnaval já há muito cessaram suas badaladas, mas ele espera ansiosa e pacientemente que o último eco ressoe para perto de si. Afadigado e tímido, porém, procura não querer saber se em vão. Por via de todas as dúvidas, ignora a quaresma na certeza de que, dali em diante, jejum não lhe faltará por pelo menos mais que o dobro daquele tempo cristão.

Traja, tristonho, losangos apenas em branco e preto. Quando o carnaval acabar, afinal, nada mais lhe haverá de ser colorido. No pé que outrora se prestou somente ao samba, não lhe faltam mais calos para os velhos passos sem rumo e sem ritmo. Quando o carnaval acabar e a banda passar por fim, os portões da avenida estarão trancados e as baterias a acumular poeira num e noutro galpão escondidos debaixo dos viadutos cidade afora.

Em silêncio quebrado apenas pelos inoportunos e indiscretos, questiona por que só ele, por que só ele não assistiu ao fim de tudo como o fim da mais bonita de todas as festas. Meio às avessas do que sempre se ouviu dizer, a colombina, que até ali lhe oferecera mulatas a perder de vista, agora ela também lhe negava qualquer aproximação. Que se dirá, pois, de algum amor. Iludido que estava a acreditar na harmonia e na evolução dalgum enredo prescrito pelos demagogos, deixou-se pintar e bordar com a ingenuidade de um legítimo e fracassado bobo de uma corte em ruínas.

Quando o carnaval acabar, concluiu, o vento há de constipar este folião vencido. E sua escola de samba será tão somente o seu coração solitário, a batucar e recuar na mansidão de um descanso para sempre indefinido.

4 comentários:

Anônimo disse...

Se eu não tivesse conversado com você antes, não teria entendido o texto.

A única coisa que me resta, é ficar contente se este texto foi escrito enquanto esperava o meu telefonema, pois daí, aliviaria qualquer sentimento ruim que sinto. hauahauaha

Pequenino..
Prepare-se, pois o sucesso já está vindo e o reconhecimento do seu tão iniciante e competente trabalho vão te deixar mais tranquilo.

Paciência e positividade.

Abraços!

Anônimo disse...

Desculpe ñ tem nada a ver com o blog mas estou a procura de um thiago crespo morador de alphaville SP é vc? se for meu email é carolmoselli@hotmail.com

Suzina disse...

A-D-O-R-E-I-!-!-!

(desde o texto até a troca de assunto... rs)

Bjo

Franklin L. disse...

Bravo!!!