quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lá maior

Sentou-se ao piano e, embevecido pelo que não sabia o que era, desejou compor a canção mais bonita. Esquecera-se, porém, que não tocava piano, que jamais tocara mais do que três notas decoradas em toda a vida. Lembrou-se, pois, sem culpa alguma, que era violão o seu instrumento de prática. Buscou-o sem delongas, mas, ao descobri-lo do meio do pó, soube que não havia nele a batida de sua nota favorita.

Percebeu-se sozinho, mais do que nunca, e sua tristeza calou para sempre a canção mais bonita.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

À demain

Chora não, amor
Pois se é de vento que se faz destino
Quem sabe noutro sopro
Nosso encontro seja bom

Perdoa e só
Se te fiz crer que nossa vida era pra sempre
Mas o pra sempre
Até amanhã
É nunca mais

Pensa bem
Nossa vaidade já chegou ao fim
Mas este fim
Até amanhã
É só o começo
Do quê, eu não sei

Quem sabe, então, me diz
Foi Deus quem me enganou
Ou só fui eu que me entreguei?

Perdoa, tive de remar bastante
E nalgum mar distante
Sem riso ou maldade
Ancorar a dor
Neste velho porto
Chamado saudade