sábado, 28 de março de 2009

A caixinha

O menor livro do mundo, quatro pétalas de rosa e uma carta de amor. Era disso que se compunha a caixinha. O primeiro, embora pequenino, guardava consigo a revolução. As flores, embora já secas, rememoravam o primeiro dia depois das mãos desprendidas (e a quantidade, os anos das mãos sempre unidas). O escrito, ainda que de improviso, saíra na cadência perfeita entre palavras muito bem escolhidas e vírgulas que sabiam pausar o recado a cada vez que ele tinha de derramar uma lágrima.

O cuidado era tanto que a caixinha bem sabia ser simples. Ela sabia, afinal, que, não de agora, toda a beleza repousava na simplicidade. Fosse nas antigas lições de Ernesto, no aroma perdido das rosas vermelhas ou na poesia cotidiana escrita a suaves mãos, reconhecia a leveza da felicidade.

Era uma caixinha que, de tão pequena, cabia no coração mais apertado.

4 comentários:

Mr. Neck disse...

Acho que já tá claro quem é o artista por aqui, certo?
Sensacional, meu velho.
Ass: seu fã

Victor disse...

E teria uma caixa dessa se me fosse permitido.
Belo texto!

Abraços

Victor

Thiago Crespo disse...

Sim, meu amigo Ernani, está claro quem é o artista por aqui. Chama-se Daniella. Eu chamo de "meu amor".

Abraço!

Mr. Neck disse...

Tenho muito que aprender contigo...