domingo, 29 de novembro de 2009

Uma tarde qualquer

A bandeira que tremula ao fundo das árvores de todos os verdes não é a do seu lugar. O parque está repleto de pessoas e pássaros, mas ele não fala a língua dos primeiros e tampouco tem as asas dos segundos. E a despeito de tudo lhe parecer estranho, ele está em casa. Abre um riso de contentamento com o sol que veio depois da manhã chuvosa, mas o sol vai embora tão logo, como que para não reluzir seu sorriso.

Quando percebe estar carregado de inveja do toque dos lábios de um casal na floreira à frente, sente dó de si mesmo. Não havia uma semana fora indagado por que não podiam ser felizes com a mesma facilidade dos outros. Porque amor que é fácil não dura tanto, respondera, ainda que não acreditasse naquilo.

Não lhe bastasse a ausência do suave calor de minutos atrás, agora também o vento assobiava gelado. Antes que se protegesse, sentiu a garoa típica e incômoda lhe umedecendo os cabelos ralos e o rascunho melancólico no caderno onde nem ali o sol estava a lhe sorrir no papel. Olhou para os lados, não reconheceu a alegria em canto algum. Os costumeiros pingos afastaram as pessoas, os pássaros e a caneta dos rabiscos agora borrados.

Mas ele ficou ali, a tentar encontrar algo novo numa tarde qualquer.