terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Então é amor

Quantos dias passamos distantes? Quantas ideias errantes? Quantas promessas colocamos em risco? Quantos aniversários a sós? Quantas vezes choramos calados e quantas choramos juntos? Quantos beijos alheios invejamos e de quantos carinhos quantas vezes sentimos falta? Quantas vezes ouvimos que, distantes, não ia dar certo – e quantas, agora juntos, continuaremos a ouvir? Quantos espinhos trocados, perto de quantas rosas? Quantos olhares pesaram sobre nossa aliança? De quantos venenos provamos acreditando que a felicidade independia da união? Quantas risadas e mundos não-compartilhados? Quanto cinza sobre o colorido?

De quantas bobagens fizemos o fim do mundo? Mas de quantos sonhos também desenhamos o nosso futuro?

O mar, que por tanto tempo atravessou nossas mãos dadas, trouxe problemas e poemas. Os primeiros ele levou embora, para um lugar sem vida, um continente qualquer – ou quem sabe se não secaram na areia duma baía distante. E se os últimos ficaram, então, se ficaram só os poemas, então é amor.