quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Perfume

Comercializassem o tempo e eu compraria à vista só um frasquinho de cinco minutos. Encontraria nele o melhor perfume, a duração exata de um beijo gostoso.

É tudo o que me falta agora.
O tempo.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

2011

- Paz?! Coisa mais demodê, pai, eu quero um iPad!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

enfim

Brotou diante de mim, feito flor pequenina, calçando sapatilhas pretas e vestindo um camisete branco de linho irlandês. Cabelo preso em coque e corpo esbelto de menina jeitosa, uma bailarina a dançar parada diante de minhas memórias. Brotou assim, sem que eu apanhasse as palavras mais lindas ou que recitasse os sentimentos por tanto tempo guardados na velha caixinha de amar.

Tamborilou num segundo sobre meu ombro, reconheci-a dalgum passado fugaz e sorri sem que pudesse dizer o seu nome. Mas lá estava, tão minha, tão nada de mim: toda ela em branco e preto, como o filme de um sonho remoto. Por que abraçá-la, se meu intento era o beijo? Por que dissipá-la entre o certo e o errado, se tanto fazia a palavra de Deus?

Fonte de inquietude e inspiração. De insegurança e insensatez. Ávidos por ins e afins, seus olhos raiavam brilhosos e lacônicos. Dilúcidos e apaixonantes. Doces, mas sempre severos demais. E enquanto eu tateava pistas do caminho que deixamos às nossas costas, sem sequer saber quais passos nos importavam agora, ela se foi – tão de repente quanto chegou e para onde estaria segura de nós. Rubricou em papel machê a incerteza dos dias vindouros, deixou o romance ao léu dos poetas parnasianos.

Ela estava de volta, enfim, mas não estava ali.