sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Duas semanas depois

"Thiago... Thiag, opa! Que coisa feia, Juca, você esquecer o nome dele. Thiago... é o Thiago!".

Irrelevante que não tenha se lembrado do meu sobrenome. Depois de publicadas em seu blog, ter minhas palavras repetidas em seu programa na rede foi honra da qual não me esquecerei tão cedo. E foi emoção também, histórico que se fazia aquele momento.

O mundo inteiro, jornalistas ou não, opinava sobre a despedida de um dos maiores jogadores de todos os tempos. Ocasião do tipo em que todos se atrevem a dar um pitaco - ao que o meu, resumido em breves nove linhas, ganha forma na voz de uma referência profissional.

Pouquíssimo me cabe descrever as qualidades de Juca Kfouri, mas vale dizer que estamos tratando de mosca branca. Raros são os que conciliam imparcialidade e paixão revelada, despindo-se da hipocrisia que impede que o jornalista esportivo revele o time do coração. Raros são os que separam jornalismo e propaganda, combatendo o circo do merchandising com humor e severidade. Raros são os que enxergam o futebol para além das quatro linhas do campo, lutando incansavelmente contra as mazelas políticas e a tirania dos que governam o mundo da bola no Brasil. Juca é isso, é raro.

O convívio com gente insegura e perigosa faz parte do meio, mas, lá em cima, Juca nos dá lição de humildade e caráter ao reconhecer algum mérito na frase de um colega que ele sequer conhece.

Motivador, Juca, muito obrigado.

#O vídeo do programa está aqui.

[citação aos 7 minutos; aos 14min45seg, a confirmação do sobrenome]

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre Deus e o Fenômeno

As ruas vazias. A redação em silêncio fúnebre e apreensivo. A Terra girando mais devagar, a bola rolando desnorteada e murcha. Os olhos estalados, as lágrimas prenunciando o dilúvio. O verde menos amarelo, o amarelo menos azul, nossa bandeira menos Brasil. Parecia morte - e foi. A morte de um paciente que você vê sofrendo e deseja que o quanto antes descanse em paz, mas chora em desatino quando se cumpre o inevitável.

A explosão, o sorriso dentuço, os braços abertos de moleque matreiro, o indicador em riste comemorando a glória ou o joelho bambeando a lhe matar de dor. O cabelo raspadinho, o rrrrrrrrrrrrrrrronaldinho, o seu infinito carinho. Assim como ele, hoje também nós morremos um pouco.

Ali do campo, sem milagre algum, Ronaldo trouxe aquilo que boa parte de nós costuma esperar dos céus: alegria, força, coragem, motivação, humanismo, amor. O menino Nazário, tão longe de Nazaré, nos entorpeceu de amor. Do gol fez uma brincadeira. Da brincadeira, centenas de gols. Dono absoluto do tapete verde e sempre digno do vermelho.

Ronaldo não encerrou apenas a sua carreira ou um capítulo bonito do futebol. Ronaldo pôs fim à dádiva de podermos vê-lo em ação.

NOTA.: O artigo anterior foi generosamente publicado no blog de Juca Kfouri, colega de paixão alvinegra e referência ímpar na profissão. Valeu, Juca.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nove linhas sobre Ronaldo

O maior artilheiro de todas as Copas, três vezes o melhor do mundo. Embaixador da ONU, do bem, da bola. Ídolo dos opostos, Real e Barça, Inter e Milan. Corinthians e o restante do Brasil.

Ainda que as novelinhas que permearam sua carreira preencham tablóides inteiros, nove linhas são suficientes para dizer de Ronaldo o que Ronaldo de fato é.

Agora, que ele deixa os gramados, defrontaremo-nos com a resposta do episódio mais discutido nos últimos anos. E não é a balança quem vai revelar o peso de Ronaldo, mas a História. Valeu, Fenômeno.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Confessionário

- Como é, meu filho? Não acreditas em Deus?

- Não acredito, padre. Deposito toda a minha fé nalgo mais complexo e impalpável, mas a verdadeira razão do bem e do mal deste mundo.

- E quem é, senão o nosso Criador, nosso pastor celestial dono de tudo o que há na Terra?!

- O ser humano, padre. Este ser quase invisível que nos ilumina e nos apunhala; que nos abençoa e nos arrasta ao caos. É ele, padre, o ser humano, que nos governa. Sempre.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Menos do mesmo

* Timão eliminado na (Pré-)Libertadores. Mais do mesmo? Menos. Bem menos.

* Baseado na lei que regula a participação do Corinthians na Libertadores da América, continua valendo o artigo do ano passado.

* Não adianta simplesmente massacrar Tite e sentir saudades do Mano. Ainda que o primeiro não seja técnico para a esquadra preta e branca, o hoje técnico da Seleção Brasileira também fracassou no ano passado em grande parte por erros dele próprio.

* Possível - e merecido - que Ramirez nunca mais vista a camisa alvinegra. Se isso acontecer, o meia deixa o clube com uma média de gols que a supera as de Marcelinho Carioca e Neto: 0,5 por jogo. Se desconsiderarmos a participação (?) de ontem, Ramirez atinge a média histórica de UM GOL POR JOGO. É ídolo!

* Por outro lado, sejamos justos se o jogador for mesmo embora do Parque São Jorge. Ninguém representou melhor do que ele o espírito corintiano na Libertadores: desequlíbrio, despreparo e desconforto diante de uma situação que lhe pareça estranha, por menor que ela seja.

* Pior do que não conquistar a Libertadores, Ronaldo encerrará a carreira rejeitado pelas duas maiores nações do Brasil: flamenguistas, bem sabemos por quê, e corintianos - ao que tudo indica.

* Falando nele, crítica aos meus colegas de profissão: um repórter esportivo também mostrou absoluto despreparo ao fim da partida, quando perguntou ao Fenômeno sobre o peso da derrota. Anos depois e ele ainda não aprendeu que Ronaldo se nega a falar sobre peso.

* Quem sofreu ontem não é corintiano. É masoquista. A pessoa que não padece desse distúrbio sequer teve chance de torcer; não viu um time jogando bola, não viu garra, esquema tático, padrão de jogo. Nada. Sofrer, portanto, com quê?

* A torcida já entendeu que time e torneio são incompatíveis. A maioria da Fiel já não tinha esperanças, de verdade, desde o início. Outros, acertadamente, nem assistiram ao jogo.

* Os torcedores protestam, picham as ruas, depredam os carros e ameaçam os jogadores. Querem raça, taça, espetáculo pra massa. Pagam o ingresso (quando não ganham da diretoria), deixam de comer para incentivar o time no estádio. Têm direito de cobrar. Desconfio, porém, que se esses torcedores dispusessem de engajamento similar na esfera política, visto que os impostos são mais caros que os ingressos, José Sarney não estaria onde está, o reajuste de vereadores e deputados não banalizaria o dinheiro público e Brasília seria o estádio do povo.