segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sobre Deus e o Fenômeno

As ruas vazias. A redação em silêncio fúnebre e apreensivo. A Terra girando mais devagar, a bola rolando desnorteada e murcha. Os olhos estalados, as lágrimas prenunciando o dilúvio. O verde menos amarelo, o amarelo menos azul, nossa bandeira menos Brasil. Parecia morte - e foi. A morte de um paciente que você vê sofrendo e deseja que o quanto antes descanse em paz, mas chora em desatino quando se cumpre o inevitável.

A explosão, o sorriso dentuço, os braços abertos de moleque matreiro, o indicador em riste comemorando a glória ou o joelho bambeando a lhe matar de dor. O cabelo raspadinho, o rrrrrrrrrrrrrrrronaldinho, o seu infinito carinho. Assim como ele, hoje também nós morremos um pouco.

Ali do campo, sem milagre algum, Ronaldo trouxe aquilo que boa parte de nós costuma esperar dos céus: alegria, força, coragem, motivação, humanismo, amor. O menino Nazário, tão longe de Nazaré, nos entorpeceu de amor. Do gol fez uma brincadeira. Da brincadeira, centenas de gols. Dono absoluto do tapete verde e sempre digno do vermelho.

Ronaldo não encerrou apenas a sua carreira ou um capítulo bonito do futebol. Ronaldo pôs fim à dádiva de podermos vê-lo em ação.

NOTA.: O artigo anterior foi generosamente publicado no blog de Juca Kfouri, colega de paixão alvinegra e referência ímpar na profissão. Valeu, Juca.

Um comentário:

Mr. Lemos disse...

Lindo, parceiro! Lindo! Continuo sem palavras pra falar do nosso gordo querido. Já me despedi de muita gente importante nos últimos meses e agora falta coração. De modo que só tenho a comentar que espero ansiosamente ver vc responder aos quase 300 comentários ao seu texto no blog do Juca...
Abraços