terça-feira, 29 de março de 2011

Menos importa o empresário bem sucedido que veio da roça. Menos importa o político, ex-vice-presidente de um dos maiores governos da República verde-amarela. Guardemos conosco a imagem dócil do ser humano diante da linha tênue entre vida e morte: enquanto as dores e os tumores lhe alfinetavam os órgãos, o sorriso jamais disse adeus. Enquanto o corpo frágil e debilitado sequer se mexia, os olhos grandes e vivos indicavam que o coração ainda batia cheio de amor.


E mesmo sentado sobre a cadeira de rodas, deitado sobre o leito hospitalar, José Alencar, ainda assim, era mais alto que todos nós. Porque agarrava a vida na palma das mãos. Porque fugia da morte na ponta dos pés.


Fomos e voltamos com ele em suas idas e vindas ao hospital. Brotou comoção popular, expectativa, angústia, reza, piada, plantão. Um pouco de tudo. Pipocou o argumento de que, ah, se fosse no SUS ele não tardaria a beijar a tragédia. É só meia verdade. Seriam os privilegiados todos teimosos e vibrantes assim? Pois eu duvido. Acredito, sim, é neste homem de espírito sacrossanto.


E hoje, quando se cumpriu o inevitável, pouco soubemos chorar. Suspiramos aliviados com o alívio de Zé. Ainda que o corpo seja enterrado e finalmente descanse dos dissabores malignos, sua alma batalhadora jamais vai morrer. José Alencar venceu.


Foi companheiro, guerreiro, foi Zé, foi brasileiro.


2 comentários:

Mr. Lemos disse...

Boa, irmão! O véio foi exemplo e ainda sorriu até o final. E se isso já não fosse suficiente, ainda partiu numa terça-feira à tarde. Facilitou a vida de todo mundo que ficou. É mais um mito!
Abração

Dan disse...

Guerreiro e merecedor de belas palavras!!!!

Mto bom, Thi!
:*