quarta-feira, 27 de abril de 2011

catorze

O rosto faceiro e o balanço pacato das ondas guardam as letras do mesmo nome. Pequena sereia sem cauda, o corpo moreno dança à deriva no meio do mar. Os lábios imaculados à procura, quem sabe, de um gole doce na fortaleza salina. Insegura por que, se dos meus braços faço um porto seguro para atracares os teus desejos? Ir embora pra onde, se nossos caminhos se cruzam em qualquer passo ao acaso?

Exclamo-te minhas vontades ainda que persista a interrogação nos teus olhinhos castos, densos e doces como o puro mel. Esqueça-te da ciranda do sim-e-não, celebra a aurora de tua mocidade, o esplendor dos teus dias brilhosos. Porque quando o tempo levar o frescor do teu corpo, há de amargar também tua alma e o teu charme pueril.

Olha, não te arrepende depois, tampouco guarda minhas palavras como um romance à mercê de teus devaneios. Me beija, Mariana, não deixa essa poesia sem verso final, essa travessia sem vendaval e esse mar inteiro sem litoral. Me beija, que nossas línguas são fonte de toda a água e todo o fogo desse horizonte abissal.


Me beija, Mariana. Me beija.

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