domingo, 24 de abril de 2011

Meio amargo

O coelhinho da Páscoa não veio. Talvez porque as crianças da família agora sejam outras, talvez porque eu já saiba que ele nunca existiu. A inocência ainda é meu vício e minha virtude, mas hoje navega por mares distantes das ondas da minha infância. Senti falta das pegadas que mamãe forjava pela casa até o balaio de chocolates, mas percebi, soturno, que a Páscoa é um ovo recheado de memórias nostálgicas e pouco sentido.

A mesa vazia e o silêncio quebrado pelo jogo no rádio despertam os cacos de um tempo em que reconhecíamos na brincadeira um ritual de todos os dias. O domingo pascal é uma celebração anacrônica, uma ilusão cristã que insiste na ideia de renovação da vida – quando sabemos que a segunda-feira não tardará a mostrar o contrário. Continuaremos egoístas, intolerantes e incapazes de fazer da alegria um canto constante.

Depois que a noite caiu e a escuridão recolheu os vestígios de uma tarde qualquer, a tristeza passou como um vulto a soprar o destino daqueles que esperam pela ressurreição.

4 comentários:

xande disse...

Eu acho que eu não devia ter te desejado Feliz Páscoa e tampouco ter falado sobre o significado da expressão em estado de embriaguez às 3 horas da manhã. Culpo-me por sua descrença. Espero que você se surpreenda com a segunda-feira paulistana. Abraço, repórter Crespo.

Mr. Lemos disse...

Embora as palavras sejam sempre ordenadas de forma única e imprevisível, tem posts que eu já fico esperando... Coelhinho FDP!!! ;))

Thiago Crespo disse...

Xande, meu caro, não se culpe por isso... a descrença é intrínseca a mim. Além do mais, a manhã paulistana me surpreendeu sim: a linha de ônibus que me serve desapareceu e o percurso que deveria ser de 15 minutos me tomou mais de uma hora.

Ernani, tô ficando previsível ou minha chatice está consumada?!

Abraços!

Jean disse...

Nossa meus parabéns, gostei bastante do texto....

Seguindo...abraços