sábado, 10 de setembro de 2011

pepê

São duas ilhas solitárias, como nós, separadas por uma fresta ingrata de água salgada. Próximas o bastante para que se vejam a todo tempo, distantes o suficiente para que não se toquem jamais.

As ondas quebram nas rochas feito lágrimas que persistem em dissolver corações de pedra. Em vão como o vão que as deixa distantes. A silhueta das ilhas ao entardecer é triste e descolorido – e elas adormecem cobertas pelo silêncio que indaga se é mesmo impossível se amarem.

Imóveis, resignadas, fugidias, permitem que a distância seja apenas o belo cenário de um porta-retrato a estampar somente o sorriso alheio.

Por que são duas, e não uma só, as ilhas que batem à nossa janela?

Um comentário:

Mr. Lemos disse...

Putaquepariu, malandro!! Muito bom. Dá pra botar em tantos contextos, que o melhor mesmo é nem saber em qual vc estava pensando. És um autor universal, parceiro!! Congrats!!!