Justo em dia de
festa, levaram-no embora. Justo. Em dia de festa, partilhamos no rosto as
lágrimas de tristeza e as lágrimas de alegria.
No dia de sua morte, Sócrates pela primeira vez foi campeão brasileiro.
Por que não? Todas
elas assim, antagônicas e complementares. Em paradoxo que o futebol não explica
e harmonia que só a bola nos faz entender.
Levaram-no
embora de modo a eternizar sua morte como eternizada foi sua vida. Levaram-no
porque o destino é sujeito oculto, matreiro, não raro apronta dessas que
ninguém ousa saber como e por quê.
Entre a fraqueza
na cama de um hospital e a leveza de partir para a tribuna de honra, Magrão não
titubeou.
Seu coração
parou de bater quando o coração de seu povo batia mais forte. Dessas coisas que
fazem do Corinthians, como dizia ele próprio, não apenas um time ou uma
torcida, mas um estado de espírito.
No campo, de
punhos fechados em riste, todos foram Sócrates por um minuto. No céu, balões
alvinegros carregaram o seu nome e o seu rosto como a carregar sua história sobre
a multidão em êxtase no Pacaembu.
No dia de sua morte, Sócrates pela primeira vez foi campeão brasileiro.

2 comentários:
Cara, essa é uma emoção que ainda não saiu de mim. Uma que foi muito importante compartilhar com vc, ainda que 'só' por coração e por telefone. Nessa ordem. Bela homenagem, parceiro. Se o Juca tivesse visto em tempo, provavelmente o citaria novamente, como já fez antes. Tenho certeza que nem ele foi capaz de uma tão boa. Abraço, malandro!
Mais uma vez vc se supera! Que texto lindo, que homenagem mais autêntica.
Vc continua sendo um verdadeiro craque na arte de escrever! Abraço e saudade.
Postar um comentário