sábado, 18 de fevereiro de 2012

só de solidão


Que poeta, que nada.

Escrevo apenas porque estou só e porque me inspira a solidão de todos os dias.

Queria nunca mais escrever coisa alguma.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

seu rosto no céu

Arrumei a casa como se fosse lhe receber agora. Deixei flores e delícias para lhe encantar. Luzes acesas a retribuir a alegria da sua chegada e velas dispersas a testemunhar o calor do nosso beijo lépido. 

Preparei o jantar e o seu banho quente. Tudo como se fosse lhe receber agora. O vinho da safra mais velha e o perfume do frasco menor. Desenhei quadros novos na parede e pintei escadas prontas a nortear seus passos quando quiser descansar. Improvisei uns versinhos e os guardei debaixo do seu travesseiro.

Refutei a barba rala, desarrumei o cabelo para lhe parecer o seu menino de sempre. Dentre as novidades que há tanto guardo comigo, escolhi para lhe contar somente as mais breves. Para lhe ouvir mais e lhe saber melhor. 

Ensaiei meu abraço. Pressupus, em lágrimas, minha emoção. Combinei com os passarinhos que só parem de gorjear depois do amanhecer. 

E a despeito de toda a loucura, brindarei, contente que só, a mais uma noite na casa vazia. 





domingo, 5 de fevereiro de 2012

neymar


Vê! O menino sabe sorrir com os pés. E enquanto todos os outros pelejam, Neymar se diverte como quem leva aos gramados o ditado que vem das ruas: atrás da bola sempre vem uma criança. Seu futebol atordoa, confunde... e enquanto ele passa, ficamos pelo caminho a perguntar se está driblando ou se está dançando.

Moleque mulato, matreiro, malvado, magrelo, moicano. Por vezes mimado, por vezes metido a maduro. Dribla aqui e acolá em seu inefável dom de rodopiar a bola como se só a bola seu mundo fosse. Nos pés de Neymar, sofrimento e futebol não combinam. Testemunhamos, nestes mesmos pés, o casamento entre ousadia e alegria. Que ousadia! Que alegria!

Neymar encanta as meninas, entorta os marmanjos, entoa o hino santista no fundo de cada gol. Neymar não é Arantes do Nascimento, mas é sim da ressurreição. Quem foi que despertou em gramados nossos o futebol-arte das lendas adormecidas? Neymar não é Pelé também nem precisa... personalidade jamais lhe faltou da cabeça aos pés.

Dança aqui e acolá a ensaiar rabiscos tortos no quadrilátero verde e branco. Dribla aqui e acolá a conjugar seu nome em todos os tempos e todos os campos.

Domingo último, porém, Neymar mostrou que não é perfeito. Ainda bem. O clássico, o centésimo tento e o vigésimo natalicio... tudo seria festa não fosse a derrota. Abençoada seja! A perfeição não teria a simplicidade e a picardia deste camisa onze. Porque Neymar dribla e dança, aqui e acolá.

Não gostam do esporte bretão aqueles que não reverenciam este formidável prodígio. Festejemos Neymar, fino retrato do futebol mais brasileiro.