quarta-feira, 25 de julho de 2012

alsácia

Havia alguma coisa de triste em mim. Não sei se foi o violino ou as cores foscas do centre ville. De repente cansei de brincar. Enjoei de tanto rodopiar sobre fantasias e cavalos mudos. Contigo, afinal, vislumbrei cavalgadas bem menos infantis. Mas, feito criança, recortei um pedaço do mar a fim de colar minha mão na sua. 

Havia alguma coisa de triste em mim. Não sei se foi o beijo na mesa ao lado ou o sol que figurava ao longe sem aquecer. Percebi que estava perdido e condenado a andar em círculos - sem saber se meu coração batia em Alsácia ou Lorena. 

Cessem as badaladas, segurem os ponteiros deste inimigo nefasto que não volta jamais. Quero descer do nosso amor-carrossel.


domingo, 8 de julho de 2012

descaminho



Só me procure se quiser saber de mim. Procure-me só, sem armas ou sem espinhos.

Só me procure se ainda sabe o meu lugar no mundo, o meu endereço. Se um dia soube. Se um dia tive. 

Não apareça assim, nem tão de repente, porque pode não me ver mais em mim. Ando cá bastante distinto do que fui um dia, colhendo um pouco do melhor e do pior de nós. De tantos nós. Cabelos mais ralos e olhos de vez em quando menos transbordantes. Bem menos, de vez em quando. 

Deixa estar, os médicos dizem que não há remédios para essa estranha doença que é ser normal. Loucura? Eu só quero a estrada vazia e o peito cheio de sonhos. Eu só quero mais vinho, mais poesia e virtude. 

Jamais volte a bater em minha porta sem me dizer oi, tudo bem, eu vou indo e você como vai. Jamais volte a simplesmente bater sem porquê. Sem dizer à estrela, ao relógio e ao vento que me ama também.