domingo, 8 de julho de 2012

descaminho



Só me procure se quiser saber de mim. Procure-me só, sem armas ou sem espinhos.

Só me procure se ainda sabe o meu lugar no mundo, o meu endereço. Se um dia soube. Se um dia tive. 

Não apareça assim, nem tão de repente, porque pode não me ver mais em mim. Ando cá bastante distinto do que fui um dia, colhendo um pouco do melhor e do pior de nós. De tantos nós. Cabelos mais ralos e olhos de vez em quando menos transbordantes. Bem menos, de vez em quando. 

Deixa estar, os médicos dizem que não há remédios para essa estranha doença que é ser normal. Loucura? Eu só quero a estrada vazia e o peito cheio de sonhos. Eu só quero mais vinho, mais poesia e virtude. 

Jamais volte a bater em minha porta sem me dizer oi, tudo bem, eu vou indo e você como vai. Jamais volte a simplesmente bater sem porquê. Sem dizer à estrela, ao relógio e ao vento que me ama também. 

4 comentários:

CSN disse...

Seus textos me fazem pensar no que você estaria pensando quando os escreveu. E daí minha imaginação vai longe...e é disso o que eu gosto. :)
Beijo, Thiaguinho.

Thiago Crespo disse...

O que eu estaria pensando é o menos importante, minha querida Cleidoca. O porquê das palavras aqui é exatamente levar pra bem longe!

Valeu =**

Mr. Lemos disse...

E eu que entrei aqui esperando ler sobre futebol. Era sobre outro tipo de amor...
Cleidoca falou bem. Dá pra viajar demais nas palavras, malandro!
Show! Pra variar... ;)
Abração

Lucas disse...

Oi Thiago, tudo bem?
Meu irmão comentou comigo sobre a mensagem que você havia escrito para o casamento do Zarpão e o quanto aquilo foi emocionante. Ele me indicou seu blog e eu acabei lendo de tudo o que você escreveu aqui, inclusive esse último post.
Arrepiei cara...Lindo o seu texto!

Grande abraço pra ti
:)