terça-feira, 23 de outubro de 2012

os cabeludos

Ainda que tenhamos nos conhecido na faculdade de jornalismo, foi principalmente por causa da música que nos tornamos grandes amigos. No último sábado, presenteados por uma série de acasos, reencontramo-nos exatamente como uma banda que volta a se reunir depois de longo hiato. Cheios de outras estradas, novidades e histórias paralelas, mas cumplicidade inabalável.

Quase dez anos atrás, éramos os "Beatles do Jornalismo". Não, nunca ensaiamos juntos ou compusemos qualquer coisa que fosse música. Criamos, sim, bordões e piadas que muitas vezes só faziam sentido entre nós. Mais do que isso, criamos nossa maneira de rir (dos outros, das coisas, de tudo). Eis nossa maior composição e nosso maior legado a nós mesmos: o riso fácil, exagerado e incômodo aos olhos de um estranho.

Parecíamos uma banda talvez apenas porque éramos todos cabeludos. Depois de chegarmos carecas à faculdade, cada um de nós espontaneamente deixou o cabelo crescer -- por relaxo, trauma da cabeça raspada ou qualquer motivo que seja. E os estranhos, aqueles de quem a gente ria diariamente, tinham certeza que havíamos combinado tudo em nome do estilo.

Depois de tantos anos e muitas aulas em vão, o que nós combinamos foi o encontro num show do Paul Mccartney. Algo que não aconteceu - ainda - exclusivamente por minha causa. E, vejam vocês, o acaso riu de nós cinco como nós sempre rimos dos outros: acabamos por nos encontrar num show de João Carreiro & Capataz. Celebramos nossa amizade e nossas boas memórias ao som de Munhoz & Mariano. Deixamos de lado o submarino pelo Camaro.

Quase dez anos depois, descobrimos que nem o rock e tampouco o jornalismo são capazes de mudar o mundo. Mas quando foi que algum de nós se propôs a tanto? Dane-se o mundo. Conseguimos nos emocionar e nos divertimos da mesma forma como sempre fizemos. Revivemos nossa embriaguez juvenil e nossa arrogância inofensiva. Brindamos à genuína alegria de estarmos juntos.

O reencontro, meus amigos, foi prova incontestável de que as coisas não mudam - e de que o mundo, afinal, sempre será um gibi.




Um comentário:

Mr. Lemos disse...

O reencontro é lindo, irmão! A narração também... melhor ainda. Mas fiquei influenciado... acho que poderia ter curtido muito mais se tivesse lido ontem.
Um brinde à loucura!!!
Abração e saravá!!!