segunda-feira, 16 de setembro de 2013

louca de pedra

(escrito e publicado em 13/09/13)

Este é um relato pessoal e ingênuo, mas inesquecível. Mesmo que aos 28 anos, eu ainda não estava preparado o suficiente.

Minha primeira vez foi no último sábado. Eu não a conhecia, só ouvira falar, mas depois soube que ela estava à minha espreita há muito tempo. Alguns anos, quem sabe. E aí tudo começou assim, quando ela me cutucou sem qualquer pudor ... Ignorei, mas ela insistiu. Desconfiei, preferi seguir meu caminho; já havia outros planos para aquela noite. Ela não aceitou, me obrigou a ficarmos a sós e interrompeu toda minha agenda no final de semana. Queria que meus raros dias de folga fossem dela e de mais ninguém. Resolvi assumi-la. Diante do meu rosto indefeso, todo mundo perguntava: É a primeira vez? E eu, aflito, não conseguia esconder.

Claro, fiquei muito nervoso. Me lembrei dos conselhos de quem já vivera a situação: seria preciso manter a calma para que tudo corresse bem. Alguns me disseram que eu deixasse tudo fluir naturalmente -- isso evitaria que ela me incomodasse a todo tempo depois... logo perceberia que não serve para mim e iria embora em poucos dias. Outros me garantiram que seria preciso uma atitude enérgica, mais agressiva... Não. Eu não queria parti-la em pedaços e conviver depois com os fragmentos de uma lembrança dolorosa que pode voltar a qualquer momento.

Quando percebi, já estava na cama. Transpirava. Gemia. Contorcia-me em busca da melhor posição. Sem dor, por favor... Sem dor! Pequenina, pulsante, senhora da situação... Ela passeou pelo meu íntimo sem que eu pudesse doma-la. Conheceu uma parte de mim que eu mesmo não conhecia...

Relutei. Quando percebi, estava anestesiado. Ela me controlava, ditava todos os meus movimentos -- e eu, menino medroso e inseguro, cedia. Acordei horas depois, ainda sob o efeito de drogas, e fiquei aliviado ao imaginar que ela já havia desistido de tudo.

Errei. Ela ainda me levou pra cama por dias e noites seguidas. Suspiros, súplicas... Sangue, selvageria sem nenhum amor.

Quando cansou de me machucar, foi embora com altivez e dignidade... pela porta da frente.

De lembrança, me deixou a dor e o trauma de uma primeira vez simplesmente terrível.

Maldita pedra no rim.

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