domingo, 29 de setembro de 2013

palavras dela



Domingo prosaico, cinzento. 
Embriagado, tomou o café da manhã antes de se deitar. Dormiu pouco, não almoçou. Esperou pelo ônibus debaixo da chuva rala e foi trabalhar pensando em voltar pra casa.

Tentou escrever bonito, não conseguiu. Rabiscou a última frase e repassou o texto baixinho, apenas para si mesmo. Conformado, subiu o zíper do agasalho e foi embora sem dizer tchau. Quando se viu no meio da rua vazia, sem trânsito ou sinal vermelho, contrariou a liberdade pela qual havia esperado nas últimas horas. Pensou nas frases e imagens repetidas da tevê, desistiu da monotonia do lar. Àquela altura era mais importante reencontrar as rimas. 

Entre uma livraria e outra, porém, romance qualquer. Percebeu que as palavras que ele buscava não estavam impressas ou suspensas na prateleira. 

Tudo o que importava naquele resto de noite era uma única linha. Bastava que ela escrevesse pra dizer que chegou bem, obrigada, ainda havia bastante gente na rua. Bastava que ela já estivesse em casa e pudesse dormir com a tranquilidade de quase sempre.

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