sábado, 26 de abril de 2014

CRÔNICA DE UMA NOITE EM CLARO


- Posso te fazer uma confissão?
- Faça.
- É íntimo.
- Lá vem.
- É mais íntimo do que encontrar sua calcinha pendurada no meu banheiro depois da nossa primeira noite...
- Meu Deus!
- Pois é. Muito, muito íntimo...
- Conta.
- Tá preparada?
- Só tem uma coisa.
- Fala.
- Eu não deixo a calcinha pendurada no banheiro.
- Duvido.
- E como você sabe que vai ter "nossa primeira noite"?
- Você prefere que seja de dia?
- Idiota. Conta logo.
- Sabe por que eu tô aqui escrevendo bobagens pseudo-literárias ao invés de dormir?
- É mesmo! Você não precisa acordar cedo amanhã?
- Nossa, vou madrugar.
- E qual é a confissão, afinal?
- Gosto mais de escrever meus contos solitários do que fazer boa parte do meu trabalho.
- Mas você não é o tal apaixonado pela profissão?
- Sou, mas...
- E ainda bem, né?
- Uhum, é isso. Só que mil vezes minhas croniquetas de amor.
- Você é um lindo, sabia?
- ...
- Não muda isso nunca. Quando achar que tá cansado demais, me fala que eu faço um café e te acordo.
- E me ensina a tomar a café?
- Não faz sentido você não gostar...
- Não gosto.
- Tá bom. Eu te faço acordar.


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