sábado, 23 de agosto de 2014

LOUCA DE PEDRA II

Quando ela foi embora, ano passado, eu sabia, lá no fundo, que um dia ela ia voltar. Ela voltou.

Depois de tudo o que me causou, do tanto que me fez sofrer, ela de repente achou que a nossa história não deveria mesmo acabar feito um trauma daqueles. Quis voltar - mas, orgulhosa, não me dirigiu a palavra. Simplesmente voltou. Sempre tive esse medo. Se eventualmente dormia abraçado a uma mulher, receava acordar na manhã seguinte com ela, de repente, me batendo à porta.

Em 2013, difícil falar sobre isso, eu não soube lidar com a situação. Senti uma dor que jamais havia sentido. Chorei como jamais havia chorado. Em 2014, mais maduro e mais frio, imaginei que estivesse preparado para o possível reencontro. Mas não estava. Ao primeiro sinal que dela partiu, rastejei pela casa e miei feito um gatinho de rua com fome; me curvei diante da força arrasadora que ela ainda tem sobre mim. Pequenininha, menor do que eu, mas altiva e dona do nosso destino.

Me levou pra cama. De dia. De noite. Cama a toda hora. Enquanto ela passeava pelo meu corpo com prazer e maldade, eu transpirava e experimentava todas as posições possíveis. Eu suplicava por um copo dágua, água, água, por favor, eu preciso de muita água. Mas ela queria meu sangue. E conseguiu. Eu sangrei por dentro e por fora, à mercê daquela rocha impiedosa e imune aos sentimentos alheios - que depois foi embora mais uma vez, tomara que para nunca mais voltar.

Maldita pedra no rim. De novo ela.

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