segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CRÔNICA DE ANO NOVO


Meus amigos, é hoje! Feliz Ano Novo!

Porque nada que se propõe a ser Novo, assim, começando em maiúsculo, pode começar numa quinta-feira. Ninguém deixou de beber nos últimos quatro dias. Pelo contrário: a gente bebeu tudo o que podia como se o mundo fosse acabar - e não como se o ano estivesse começando. Ninguém deixou de comer a gordurinha da carne no churrasco do final de semana. Ninguém leu mais. Ninguém perdeu menos tempo no celular. 

Na última quinta, portanto, 2015 começou sem ter começado. Deixamos tudo pra hoje, que é o dia-mundial-dos-novos-projetos-elevado-ao-quadrado. A primeira segunda-feira do Ano Novo! O momento certo do recomeço. Se não for hoje, a partir de agora, pra já, não é mais. A gente só não sabia direito, naquela hora, à meia-noite, que é muito bonito fazer promessas e acreditar em todas elas quando você está bêbado. É fácil pensar em hábitos mais saudáveis, como acordar cedo, por exemplo, quando você não tem hora pra sair da cama. 

Só que hoje, a despeito de todas as promessas, de todo o planejamento rabiscado no caderninho, foi inevitável acordar com o barulho do despertador e pensar, caralho, que merda, hoje é segunda-feira, vai começar tudo de novo, puta-que-me-pariu. 

Eu mesmo, que passei a madrugada entre essa croniqueta e o esmartefone, dormi duas horas e meia. Acordei puto, cansado e sem esperança alguma. Antes de escovar os dentes, olhei no espelho e prometi que nem por um caralho eu volto hoje pra porra da academia.

Cuspi o creme dental e os palavrões. Enxuguei o rosto. Tomei banho. Pensei, renovado, que pelo menos eu comecei o ano cumprindo a promessa de escrever mais. O problema é que isso me levou a descumprir a promessa de dormir oito horas por dia. E se hoje eu já não dormi essas oito horas, não foi só porque eu escrevi mais; foi também porque eu descumpri uma outra promessa: me dispersei e perdi muito tempo no celular. Mas também só perdi porque tava cumprindo a promessa de dar mais atenção aos amigos. Tá certo, a promessa  de verdade, mesmo, era encontra-los mais pessoalmente e menos virtualmente. Mas aí eu descumpriria a promessa de só beber uma vez durante a semana, evitar fritura e ler todas as noites antes de dormir. Putz. Cumprir tanta coisa seria descumprir a promessa de ser feliz. 

Hoje, de fato, começa tudo de novo -- novo, dessa vez, em minúsculo. Porque "começar tudo de novo" significa exatamente aquilo que a gente não queria imaginar na última quinta-feira: as coisas vão continuar assim, como sempre foram. 



Um comentário:

Gui Fuoco disse...

Mano, vc escreve demais. Puta que o pariu. Essa foi uma das melhores. Você começou o ano novo bem pra caraleo!