quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

QUATRO MINUTOS


Desculpa, desencontramos. Só faltam quatro minutos pra terminar o seu dia.

Cheguei de viagem agora, dispersei as malas no chão do quarto e lembrei com saudade de alguma coisa que eu já não tenho certeza se aconteceu; daquele tempo em que essa cama também foi sua. Daquele abraço que eu ainda não aprendi a trazer de volta. Da nossa última vez.

Procurei um livro na estante. Encontrei um pedacinho rasgado de papel com a sua letra e o seu recado: "Foi impossível não me lembrar de você! Boa viagem!".

Desculpa, desencontramos. É o preço da liberdade que a gente sempre buscou, de tudo o que a gente escolheu amar. Olha, eu sei. É que eu vou, mas eu sempre volto. Ainda dá tempo de te desejar...? Digo, te desejar coisas boas? Eu queria fazer mais um voto nessa lista de blablablás: inquietude e paz de espírito. Juntos. Equilibrados. Ah! Brilho nos olhos, por favor, nesses olhos às vezes cinzas e às vezes de avelã.

Desculpa, mas, afinal, somos eterno desencontro. Somos feitos pra não ser. Ou, quem sabe, pra ser apenas de vez em quando. Se fosse pra sempre, não poderia ser de verdade. Se é de verdade, não pode ser pra sempre.

Você é assim. Meu amor ao contrário.