sexta-feira, 3 de junho de 2016

SOBRE FETICHES E ELEVADORES


São catorze andares até o primeiro subsolo. Dá tempo.

Claro. Não vai ser minha melhor performance. Não vai ter aquele cuidado com os detalhes que ela me pede sempre ("assim, amor, pra tudo ficar mais bonito"). Mas fazer o quê? O mundo hoje em dia tá mais dinâmico, mesmo. Tudo mais rápido.

Será que dá? Nessas horas a gente não pode passar vontade. Ela tá linda. Coragem. Madrugada, só nós dois, o momento é propício. É, e eu tô disposto.

Nunca fiz isso antes. Acho que ela também não. Se fez, não me contou. Não teria coragem. Sempre achei meio absurdo e tal, mas é o tipo de coisa que uma hora ou outra... inevitável.

Acho que ela toparia, né? Essas coisas a gente não pergunta.  A gente vai lá e faz. Tenta surpreender. Se por acaso pegar mal, a gente pede desculpas e bota a culpa no vinho.

Putz. A câmera interna. Que é que o porteiro vai pensar? O sacana com certeza tá grudado no monitor. Essa hora, ainda, sem mais nada pra tomar conta... Foda-se. A vida é muito curta pra ser pequena. Filosófico, né? 

Peraí. E se ela quiser de novo? Ela sempre pede mais uma, é difícil satisfazer. Bom, seja o que deus quiser. Respirei fundo. Passei a mão por cima da calça, mesmo, pra ter certeza que ele tava ali no lugar dele. Opa. Tava ali. 

Olhei pra ela mais uma vez, me aproximei. Envolvi meu braço por trás, na cintura. Abracei gostoso, de mansinho. Ensaiei um rosto sexy-sem-ser-vulgar. Ela entendeu o recado. Sorriu. Saquei o telefone do bolso e, puf, consumei nosso desejo por tanto tempo reprimido. 

Uma selfie no espelho do elevador. 




Nenhum comentário: